Um armário grande e com cabides (amo cabides!). Uma cômoda pequena com 3 gavetas. Uma escrivaninha e um criado mudo. Dentro dessa mobília deveria caber todas as bugigangas que eu trouxe comigo. E depois de dormir como pude, tudo que eu queria era mesmo ajustar minhas coisas.
Aproveitei que estava sozinha em casa para ouvir música alta. E realmente me diverti colocando as coisas em seus novos lugares. Especialmente enquanto eu desfazia a mala cinza (que quebrou!). Essa mala foi arrumada pelas minhas tias enquanto eu me descabelava porque jamais ia conseguir trazer tudo o que queria em tão pouco espaço. Consegui. Graças a elas!
Aí o dia acabou. A faxina acabou. E eu me dei conta de que o som tinha tocado o dia inteiro. Sozinho. Eu estava feliz. Mas não tinha dado nem uma cantandinha. Tinha passado o dia muda.
Pensei em quão longe as minhas asinhas quebradas me trouxeram. E em como valeu a pena aprender a voar com elas. E pensei também em quanto ainda tem para que esses olhos fundos vejam. Agora é lembrar de cantar na noite. Ainda que escura.
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